Ansiedade de desempenho: por que pessoas competentes também sofrem?

Profissional trabalhando até tarde no escritório, sinal de ansiedade de desempenho

É comum associar ansiedade a insegurança ou falta de preparo. Na prática clínica, no entanto, boa parte das pessoas que procuram ajuda por ansiedade de desempenho são justamente as mais competentes: profissionais bem avaliados, estudantes com bom histórico, líderes reconhecidos. O problema não é falta de capacidade: é um padrão de funcionamento que se instala em torno dela.

Ansiedade de desempenho não é apenas “ficar nervoso antes de uma reunião importante”. É a sensação constante de que é preciso dar conta, de que qualquer deslize vai expor uma fragilidade, de que o reconhecimento de hoje não garante nada sobre amanhã.

Um ciclo que se sustenta sozinho

A ansiedade de desempenho costuma seguir um padrão reconhecível. Uma situação de avaliação ou exposição (uma apresentação, uma decisão importante, uma prova) dispara pensamentos automáticos do tipo “e se eu falhar” ou “preciso ser impecável”. Esses pensamentos produzem ansiedade, e a ansiedade leva a comportamentos de proteção: evitar, procrastinar até o último momento, preparar-se de forma excessiva, revisar um trabalho várias vezes além do necessário, tentar controlar cada variável.

O problema é que esses comportamentos, a curto prazo, aliviam o desconforto, mas a longo prazo confirmam a crença que os originou. Quem se prepara excessivamente e é bem-sucedido atribui o resultado à preparação excessiva, não à própria competência. E o ciclo recomeça na próxima situação de avaliação.

Por que isso aparece justamente em quem tem mais competência?

Pessoas com histórico consistente de bons resultados costumam também ter padrões mais altos de autocobrança, e mais a perder, na própria percepção, se esses padrões não forem sustentados. A competência real não impede a ansiedade; em muitos casos, é o que a mantém alimentada, porque cada conquista eleva a régua da próxima.

O que dizem as pesquisas

Essa relação entre altos padrões internos e ansiedade não é apenas uma leitura clínica. Estudos sobre perfeccionismo mostram associação consistente entre autoexigência extrema e sintomas de ansiedade, o que ajuda a explicar por que pessoas com histórico de bons resultados não estão “protegidas” do problema; em muitos casos, é justamente esse histórico que sustenta o padrão. Já uma revisão de metanálises conduzida por Hofmann e colaboradores (2012), publicada na Cognitive Therapy and Research, reuniu evidências de centenas de estudos clínicos e concluiu que a Terapia Cognitivo-Comportamental produz reduções consistentes e duradouras nos sintomas de ansiedade, incluindo os padrões de ansiedade ligados a desempenho e avaliação.

O que a psicoterapia pode oferecer

A Terapia Cognitivo-Comportamental trabalha esse ciclo em suas partes: identificar os pensamentos automáticos que disparam a ansiedade, entender a função dos comportamentos de proteção e, gradualmente, testar formas diferentes de se relacionar com a exposição e a avaliação, sem depender do controle absoluto como única forma de se sentir seguro.

Se esse padrão descrito acima soa familiar, vale conhecer melhor como trabalho especificamente esse tema na página Ansiedade e Performance.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação profissional individual.

Fonte científica: Hofmann, S.G., Asnaani, A., Vonk, I.J.J., Sawyer, A.T., & Fang, A. (2012). The Efficacy of Cognitive Behavioral Therapy: A Review of Meta-analyses. Cognitive Therapy and Research.

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Erik Matos
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